Acredito que o (a) leitor (a) já tenha ouvido falar do famoso experimento do marshmallow realizado com crianças. Caso não, recomendo que o veja para melhor entender esse texto analítico que escrevo, pois descrever aqui o experimento ocuparia uma quantidade desnecessária de tempo e linhas, enquanto ele pode facilmente ser encontrado no YouTube.

As conclusões do teste mostram algo claro e talvez já esperado: crianças tem dificuldade para manterem o autocontrole e entenderem como suas ações presentes podem impactar seu futuro. Adolescentes apresentam comportamento semelhante, que só irá ser resolvido ainda após os 18 anos de idade, o que também explicaria a tendência dos jovens realizarem brincadeiras estúpidas e perigosas.

Contudo, apesar dos resultados interessantes, engana-se aquele que conclui que esse comportamento não existe nos adultos, ou existe de forma menos impactante. Uma análise rápida da nossa história (e não falo da história brasileira, mas sim da a humanidade no geral) mostra que essa tendência apenas muda de lugar.

Deixamos de lado as brincadeiras perigosas e transferimos a mania para o local mais essencial da vida em sociedade: a política.

Para entender melhor o que quero dizer é necessário apresentar um conceito que alguns de vocês podem estar acostumados, ou não: o eterno ciclo. A eterna troca entre esquerda e direita, pois ambos são imperfeitos, causando problemas que o povo acredita que apenas o outro lado irá solucionar, e então elegem o outro lado, que também causará problemas e alimentará esse pêndulo. Uma constante insatisfação e frustração em que os cidadãos são enganados.

É este ciclo que a grande maioria da população não vê ou entende. Ele é quase óbvio, tanto que uma simples análise histórica o revela, mas ainda sim poucos o enxergam de maneira própria ou aceitam sua existência. Mas qual seria o motivo dessa cegueira coletiva? É aí que está o mesmo comportamento infantil que tanto vemos em crianças e adolescentes.

Preferem o prazer imediato de defender uma ideologia cegamente, um político ou um movimento social, sem analisar seus futuros impactos e suas contradições de forma racional e relacionando a acontecimentos passados. Pior ainda são as utopias, que tiram a percepção da realidade ao ponto de fazer o indivíduo proteger uma ideia radical que só iria “funcionar” muito após sua morte, pois o mundo não estaria ainda “preparado para ela”(como se os humanos tivessem que se aperfeiçoar para fazer uma ideologia funcionar, e não o oposto).

Ainda sim seria radical culpar apenas o humano comum por isso e não perceber um forte catalisador: o próprio meio político atual. É eventual que esses governantes não querem que esse ciclo seja percebido pela população, afinal não querem que percebam como eles são os verdadeiros monstros por trás de todas as desgraças, e os maiores mentirosos.

Eles precisam criar massas de manobra e fantoches para manter o controle da situação, então alimentam a ingenuidade humana com falsas promessas e ideologias “perfeitas”. Já temos uma tendência a sermos enganados na política por nossas próprias ingenuidades e manias infantis, mas o próprio sistema aprendeu a explorar isso para seu próprio benefício. Maléfico, porém inegavelmente inteligente.

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