O caminhar da maioria dos homens pelo globo parece seguir o preceito bíblico de conquista do sustento com o suor do rosto. Nada mais natural e dignificante, não fosse o predomínio da injustiça, da avareza, do roubo e do assolamento de toda a dignidade vivenciada em nossa realidade atual.

Parece que em nenhum momento do percurso do homem sobre a face da terra, ele teve tanto acesso a tantas informações, a tantos recursos disponíveis para a facilidade de sua lida com o sustento, com os meios para se livrar das moléstias físicas e mentais e em momento algum ele, parece (em sua grande maioria), esteve tão desprovido ou privado de tudo isso.

Apesar de toda disposição ao conhecimento acumulado pela humanidade vivemos hoje, nesse Brasil, a maior barbárie – os professores de todos os níveis são categóricos em afirmar os altos índices de analfabetismo funcional e de total desinteresse pelo básico do conhecimento – a geração atual não tem disposição para dar seguimento à linha de desenvolvimento cultural, técnico, científico ou espiritual das gerações antecessoras.

Todo um projeto de desconstrução dos alicerces, mais sólidos de nossa civilização ocidental, vem sendo empestado a passos largos. Vários autores nos alertaram para isso. No início do século XX, houve uma reação, mas foram subjugadas pelas forças de desconstrução e o reflexo vem se fazendo visível aos nossos olhos nesse início de século XXI.

Em nenhum momento, parece que tivemos à frente da Nação forças tão evidentemente antinacionais, quanto na atualidade. O governo luta contra o povo e legisla em prol dos interesses mais escusos. Os partidos políticos se batem, ou se aliançam, tendo em vista a sustentação ou a conquista das benesses do erário em uso privado. E as figuras públicas se cercam dos maiores vassalos que tudo vendem – inclusive a dignidade e a autonomia de ideia – em prol da manutenção de um posto para si ou para os de sua prole.

Assim, os interesses da coletividade e da Nação vão ficando em segundo plano (ou em plano algum). E mesmo quando as ruas parecem demonstrar uma reação ela não passa de fogo de palha, pois ela só existe enquanto reavivada pela mídia e se apaga tão logo cumpra o papel indicado pelos mesmos donos do poder. Assim foram as diretas, que legaram a “constituição cidadã” – uns dos documentos mais danosos à nação – assim foram os caras pintadas, o passe livre e o movimento do pato. Nada construiu, apenas desconstruiu uma face do projeto e remodelou com a mesma argamassa nociva.

Essa realidade de degradação parece que nunca esteve tão escancarada, tão às claras. Basta travar o menor dos diálogos com o mais humilde dos sujeitos e ele vai apontar a maior desilusão e descrédito com todo esse estado de coisas que se tornou o nosso sistema político-eleitoral. Aí, nos iludimos na triste esperança de que exista uma luz a brilhar indicando um caminho. Ledo engano. Esse mesmo sujeito, tão logo inicie o pleito de caça de votos, assume uma posição em favor de um dos sufragantes e se preciso vai à altercação para defender o seu lado da disputa. Mas tão logo a carreata da vitória termine, volta ele para a triste análise desiludida dos fatos – assim o processo se sucede de dois em dois anos e cumpre-se um ridículo papel de endossar todos esses desmandos.

Mas as reações se avolumam, dirão alguns. Por todos os cantos, sujeitos verdadeiramente patriotas, das direitas e das esquerdas, se levantam e se põem em movimento em defesa dos verdadeiros interesses da nacionalidade. Mais dias ou menos dias um novo estado de coisa será conquistado, e o gigante acordará!

Essa esperança se avoaçará se não levantarmos os alicerces da reconstrução individual. É preciso uma autoformação, nos mais puros alicerces da identidade nacional, é preciso resgatar nossos maiores pensadores e nossa formação cristã ocidental, sem o que nada de positivo será criado. É preciso antes formação, depois tomada de posição – todos os movimentos recentes, controlados pela mídia, impuseram movimento sem ideias –, então necessário criar, resgatar, uma ideia força, aglutinar em torno da ideia e somente assim movimentar, para não ser cooptado pelos donos do poder e absorvido pelo sistema que se propôs combater.

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Por Cleiton Oliveira – Graduado em História, especialista em História do Brasil, professor da rede estadual de ensino do Estado de Goiás, pesquisador da história e cultura goiana.

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