Plínio Salgado e Carmela Patti Salgado. Durante o exílio em Portugal

Embora tenha se destacado muito mais como prosador, – escrevendo obras-primas como a “Vida de Jesus” que é, no dizer do Pe. Leonel Franca, “a jóia de uma literatura” e os romances “O estrangeiro” (primeiro romance social em prosa modernista de nossa Literatura e também a maior realização romanesca da geração do Modernismo), “O esperado”, “O cavaleiro de Itararé” e “Voz do Oeste” (que constituiu o grito que, no dizer de Juscelino Kubitschek, preparou a construção de Brasília) e também como pensador, legando à posteridade obras do quilate de “Psicologia da Revolução” , de “O conceito cristão da Democracia”, de “A Aliança do Sim e do Não” e de “Espírito da burguesia” – Plínio Salgado foi também poeta, escrevendo alguns poemas valiosos, como os “Poemas do século tenebroso” (assinados com o pseudônimo de Ezequiel) e o soneto que lerão a seguir, publicado em seu primeiro livro, “Tabor”, de 1919. 

Canção das Águias – Plínio Salgado

Eleva-te no azul! Corta-o serena e forte…
Rasga o seio à amplidão! Embriaga-te no arrojo
do vôo triunfal! Deixa que estruja o norte,
que o mar rebente em fúria e encarcere no bojo
as potências revéis e as ciladas da morte!
Atira-te no espaço!

E, se um dia, singrando os céus, vieres de rojo,
rotas as asas de aço, banhada em sangue, o olhar
em febre, a alma descrente, não te abata o cansaço!
De oceano atro e fatal não te sorva a torrente…
Grita, forceja, anseia e combate e disputa…
morre a lutar, morre na luta, mas, antes de morrer, tenta ainda voar!

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