Presidente Jair Bolsonaro recebe a faixa de Michel Temer (Foto: Sergio Moraes/Reuters)

Passamos por um período de tentação, em que somos postos à prova quanto a nossa disponibilidade de luta. O povo brasileiro é sofrido, cabisbaixo e desesperançoso, pois todas as suas atitudes políticas, na prática, de nada servem. Não servem, vale frisar, porque toda gênese de nossa nacionalidade é inerentemente oposta e incompatível com todo o sistema político que fora estabelecido. A Democracia Liberal mostra, em sua prática, que não funciona, nem obra bons resultados, nem sequer é satisfatória. As pessoas vivem, ante a nação, como se fossem sujeitos sem moral, sem relevância ou valores inerentes da qualidade de pessoa humana. Pergunte a qualquer brasileiro se este se identifica com a classe politica “democraticamente” eleita que preenche os nossos púlpitos públicos; tenho a certeza de que a imensa maioria dirá que não – e não estarão mentindo.

Se nós, integralistas, erguemos a bandeira do Sigma e professamos firmemente nossos princípios, há, dentre os ignorantes, quem diga: “eis os antidemocráticos, eis os fascistas”, e com seus discursos vazios acusam-nos das maiores atrocidades e de termos políticos de má reputação. Enquanto isso, no cenário político brasileiro, esquerda e direita brigam, numa disputa teórica e ideológica pela atenção das pessoas. Mas a realidade continua aí: pessoas em certos rincões do país sem ter o que comer e precisando se submeter a humilhações; com as crianças recebendo uma má educação e saindo formadas das escolas sem absorver quase nada do que intentaram aprender; os gestores públicos ignoram suas funções pelo bem-comum e aproveitam de seus cargos para agir de forma corrupta, roubando o dinheiro do povo que fora conquistado com muito suor e sangue; e nada do que esquerda e direita discutem traz algum resultado. Entra governo e sai governo e a situação das pessoas é a mesma: sempre degradante e humilhante.

Não bastasse isso, especialmente nas eleições municipais, candidatos prometem mudanças, deixando o povo esperançoso, mas, depois, sem piedade alguma, o atiram na desilusão e não cumprem nada do que prometeram. E o povo continua sendo obrigado, de tempos em tempos, a ir às urnas depositar seu voto; voto, este, que se tornou piada dentre os próprios eleitores.

Portanto, faço a sincera pergunta: é isso a que chamam de democracia? Este é o bem tão precioso que dizem querer proteger? Bem, se chamam a completa desconfiança popular de democracia, a isto prefiro chamar de ditadura da mentira.

A única alternativa democrática condizente com a realidade nacional é o Integralismo. Hoje, os políticos ficam distantes do povo. Mesmo que façam comícios, que saiam abraçando eleitores na rua, apertando suas mãos, vomitando mentiras dentro de seus ouvidos, isto é, mesmo que tenham proximidade física – a íntima que seja –, ainda assim, são protegidos pela indiferença completa na ação política. Um prefeito elege-se pelo voto do povo em geral, povo, este, que possui grupos que o formam; estes grupos possuem anseios peculiares, necessidades pessoalíssimas, características próprias e interesses específicos que merecem total atenção e atendimento. O político eleito governa para o povo em geral sem atentar-se a essas diferenças e particularidades, e tudo aquilo que o povo quer não é atendido. Então o político finge que governa e o povo continua com as mesmas precisões. Vem governo e vai governo e o povo continua inerte num estado de absoluto retrocesso.

Ainda mais, aqueles que se dizem pragmáticos, céticos, verdadeiros críticos políticos, colocam a Democracia Liberal num status de sacralidade em que tudo que for proposto deve se desenvolver somente a partir dela. Que esforços eu teria de fazer para provar que estão errados, se a própria realidade está aí, tão cristalina, tão transparente e tão óbvia? Ora, a alma da democracia é o anseio popular, e todo o povo mostra-se descontente com a atual situação política nacional. O fato mais pragmático quanto à Democracia Liberal é que ela não é pragmática.

Quantas mais vezes continuarão escutando os interesses de uma classe que possui absoluto ódio por tudo aquilo que é popular, que odeia a nossa religião, nossa moral, nossos costumes, nossa história, que odeia tudo aquilo que diz respeito ao Brasil e que torna este dissociável soberano ante qualquer nação?

Discute-se a aprovação do aborto, depois discute-se liberação de drogas, depois discute-se a proibição total das armas, e então discute-se que a família não tenha mais autoridade por seus filhos e por sua propriedade; e depois que forem relativizados todos os valores mais essenciais, mais honrosos, inerentes a nós como condição de ser imagem e semelhança de Deus, que nos restará? As pessoas, seguindo a ideia de liberdade acima de tudo – maldita mácula de nosso tempo – não percebem que isso só as leva à morte e dá poder ao Estado de usá-las como produto. E há de se dizer que o povo brasileiro não é produto! Nosso povo não é rato de laboratório, não é objeto de experiência alienígena alguma, nosso povo não é gado criado apenas para trabalhar para um dono e depois ser morto para alimentá-lo; cada um, não importa qual seja, ou em que situação esteja, o que faz da vida, com que trabalha, sua classe econômica, sua etnia, ou o que quer que for, é imagem e semelhança de Deus e deve, portanto, ser tratado como tal – mesmo que isto não implique dizer que devam ser isentados de seus deveres ou prestações diante da justiça. Deve-se entender o homem como de fato o é. Ser imagem e semelhança de Deus é uma afirmação de que tal sujeito possui direitos que devem preservar sua moral como pessoa humana, mas também possui deveres de fazer com que todos os outros possuam o mesmo tratamento e não sejam, por ele, violados.

Por isso, é impossível tratar de um homem sem atentar-se aos homens em geral. É impossível falar de indivíduo, pois este é concebido como um ente a parte. Qualquer ato obrado por um sujeito refletirá em maior ou menor escala nos demais. É absurdo, sabendo que o mundo e o tempo são um conjunto de ações e reações, conceber que um homem possa fazer algo sem que isso atinja os demais, ou que se possa trata-lo ou estuda-lo de forma particular sem observar todas as características universais presentes em todos os homens.

Tal complexidade supracitada não encontra satisfação na Democracia Liberal. Quanto mais tempo deixarão o povo passar por esse sádico efeito sanfona, de enchê-lo de esperança e depois o atirar na desilusão melancólica? Uma mudança é necessária, e tal mudança deve ser profunda e abarcadora; deve ser institucionalmente completa e universal; deve ser uma verdadeira Revolução, desenvolvida dentro e a partir das nossas realidades; e essa Revolução não é outra, senão a integralista.

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