Não tive o gosto de conhecer pessoalmente Plínio Salgado. Foi através da leitura que fiquei admirador da sua alta figura de pensador e de homem de ação e das extraordinárias dimensões do seu espírito.

A obra que nos deixou escrita mostra em plenitude a esclarecida percepção que teve da aguda problemática social, no particular brasileira, mas que, no geral era e é comum a todos os países.  Por esse motivo Plínio Salgado alcançou uma acentuada e especial projeção na mentalidade contra-revolucionária extra-fronteiras e extra-continente, tornando-se escritor universal. Ele viu, com toda a clareza, que as ideologias imperialistas,internacionais e totalitárias e, como tal empenhadas numa luta combinada, extensiva a todos os setores do pensamento e da ação, exigiam uma atenta e inteligente contra-ofensiva em todos os mesmos setores.

Para além da doutrinação estritamente política, todos os meios que a facilitem são, para a revolução-subversão, de capital importância. É patente como, precedendo, às vezes, e acompanhando, sempre a franquia propaganda das ideias políticas, a literatura, aparentemente romanceada ou crítica, mas na realidade política, ou o teatro e, e a história,muito especialmente, como a própria poesia e a pintura, etc., tem sido objeto de ”ocupações” que sugestionam, que falseiam, que induzem, que pervertem eque no fim conquistam.

A exacta noção que Plínio Salgado teve deste formidável processo revolucionário apontado à civilização humanista cristã e terminou o seu labor, que foi o verdadeiro trabalho demissão e de exemplo. Não custa verificar como ele chegou aos limites das possibilidades humanas, uma dádiva completa ao seu ideal podemos compreender como a diversidade de gêneros literários, que a marcou, não significa nenhuma dispersão de riqueza de espírito ou diletantismo pelo dever, em verdade, na multiplicação e cada personalidade de Plínio Salgado a coerência intelectiva que, integrando as partes fez a unidade.

O ”Integralismo Brasileiro” aliou, em sistema, a doutrinação do pensador à necessidade de realização.

Assim como qualquer ação não se compreende seu pensamento a espírito e determine, assim também as virtudes doutrinárias não se concebem, nem se justificam, senão como realizáveis.

Encerrados nas suas torres de marfim alguns escrevem e não sai daí, não fazer mais nada, porventura ciosos apenas de renome na história literária. Outros tomam as idéias alheias, perfilham-nas e vão para rua mostrá-las e agitá-las, catequizando. Sem dúvida que uns e outros merecem consideração pelo valor que mostrem, mas por muito que se revelem serão sempre tomados como incompletos, homens ou só de alma, ou só de corpo. Neste sentido Plínio Salgado realizou-se, correndo a vida afã incansável, da mesa de estudo às revisões tipográficas da recolhida aparece no Altar ao agitado comício na praça pública!

Não foi necessariamente pela sua permanência em Portugal que Plínio Salgado aqui deixou uma legião de amigos e admiradores. Foram seus primeiros livros que atravessando o Atlântico antes do Autor consagrado, o anunciaram e impuseram o seu valor a intelectualidade portuguesa. Mas aproximação e afinidade que teve com a escola integralista lusitana deram-lhe um lugar notável entre os mestres do pensamento contra-revolucionário em Portugal. É essa imagem, de mestre entre os mestres, que continua viva na comovida lembrança e no elevado apreço de quantos de nós tivemos o enlevo de o ouvir ou o proveito de o ler.

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Mário Saraiva (1910 – 1998) – Médico, desportista (tiro), pintor, historiador, político e escritor português – vindo a notabilizar-se através de estudos nos domínios sebástico e pessoano, e de uma obra política e doutrinária onde verdadeiramente se iniciou o Integralismo Lusitano.

SARAIVA, Mário. Homenagem a Plínio Salgado. In: SALGADO, Plínio. In Memoriam II. São Paulo: Editora Voz do Oeste / Casa de Plínio Salgado, 1986.

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