O poema que lerão a seguir é da autoria do alentejano António Sardinha (Monforte, 09/09/1888 — Elvas, 10/01/1925), que é sem dúvida alguma o maior doutrinador tradicionalista, monárquico, patriótico e nacionalista de Portugal, bem como um dos mais inspirados poetas já nascidos na pátria de Camões. Principal doutrinador do Integralismo Lusitano, Sardinha nos legou ensaios político-filosóficos do valor de “Ao princípio era o Verbo” (1924) e de “A Aliança Peninsular” (1925) e pregou a restituição a Portugal do sentimento de sua grandeza, grandeza esta que se desprende da vocação superior que a esta pátria pertence [e que nós outros, brasileiros, herdámos] dentro do plano providencial do Ser Supremo, como nação ungida para dilatar a Fé e o Império pelos quadrantes do Mundo, bem como a aliança de todos os povos hispânicos, do Brasil às Filipinas, do México a Portugal, da Galiza a Angola, da Biscaia ao Peru, de Navarra a Goa e assim por diante.

MEMÓRIA

Meu coração de lusitano antigo
bateu às portas de Toledo, a estranha.
Mais roto e ensanguentado que um mendigo.
só a saudade as passos lhe acompanha.

Pois a saudade ali me deu abrigo.
ao pé do Tejo que a Toledo banha.
Levava os dias a falar comigo,
como um pastor com outro na montanha.

Em todo o mundo há terra portuguesa,
desde que a alma a tenha na lembrança
e a sirva sempre com fervor igual.

Talvez por isso, em horas de tristeza,
eu pude à sua amada semelhança
criar pra mim um novo Portugal!

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