As recentes polêmicas envolvendo o apresentador Monark, do Flow Podcast, um dos podcasts mais famosos da atualidade, suscitaram uma reação contra ele pelos motivos que consideramos corretos, mas o exagero em torno disso acabou tirando a razoabilidade da situação, configurando-se, até, num ódio desmedido. Obviamente trataremos de explicar aqui por que acreditamos nisso. Resumidamente, Monark não errou por ser nazista, pois ele evidentemente não o é, mas por ser um liberal absolutamente coerente.

É importante, na defesa de nossas ideias, que saibamos investigá-las ao ponto de reconhecermos conscientemente suas premissas, de onde as tiramos e para onde seus desenvolvimentos gerais nos levam, o que eles concluem. Ora, se há alguma premissa errada em nosso pensamento, mesmo que ela aparente ser boba, acabará nos levando a erros muito maiores em nossas conclusões. Que quero dizer é que não basta que façamos um juízo de valor apenas levando em conta o que Monark disse como conclusão de seu pensamento, mas que, antes sequer de nos indignarmos de alguma forma justa com as conclusões do que ele falou, que entendamos a base de seu pensamento, os pressupostos dos quais ele parte, e só assim poderemos perceber o erro, isto, longe de qualquer vício sentimentalista, eivado de narrativas estéreis, ideológicas.

Alguns termos, quando tomados dentro de uma perspectiva idealista exagerada, acabam se desprendendo de seu significado próprio e adequado, e passam a significar algo muito difícil de se definir. Aqui temos um imenso problema. Se algo é indefinível em seus sentidos e limites e mesmo assim é tomado como definidor de atitudes e pensamentos, sendo ostentado por mentes histéricas e românticas que pouca reflexão fazem do que idealizam, sempre haverá a tendência de que tal termo seja utilizado segundo as conveniências dos detentores da mídia, daqueles que têm influência na opinião pública. Em outras palavras: um conceito vago, indefinido, que baseia toda uma estrutura de pensamento, faz com que as apreciações desse pensamento sejam sempre vacilantes, nunca se sustentando em princípios, mas naquilo que for conveniente. E aqueles que conseguirem levar sua opinião a mais pessoas são os que acabarão tendo a capacidade de usar essa elasticidade segundo seus caprichos.

A liberdade, como é hoje cultuada pelos liberais, é tomada absolutamente fora de seu sentido e é utilizada para basear pensamentos que em suas conclusões gerais se desligam da realidade, o que inevitavelmente conduz a alguma atrocidade.

Primeiro, há a confusão entre fim e meio; estes acabam sendo invertidos. Explicitemos: a liberdade não é um fim em si mesma, mas um meio. Ela não é por si só justificada, ela apenas o é segundo as finalidades às quais ela conduz. Essa confusão entre fins e meios é uma das coisas mais recorrentes nas impulsividades dos jovens atuais. Se a liberdade é, em si mesma, um fim, em si mesma justificável, qualquer coisa que a cerceie será consequentemente má, e deverá ser reprovada. Portanto, não se poderia prender alguém que cometeu um crime, pois ele só cometeu o crime graças à sua liberdade de poder cometê-lo. O bandido se utiliza de sua liberdade para cometer um crime, ou seja, a liberdade foi um meio para a execução de um mal. Se a liberdade for tomada como um fim em si mesma, no sentido de que ela é justificada simplesmente por ser possível, por facultar a alguém possibilidades, então deveríamos abolir qualquer tipo de pena, qualquer tipo de punição, qualquer tipo de censura, mesmo aos nazistas!

Outro erro primordial parte de uma má compreensão do livre arbítrio, quando este é entendido como a “liberdade para escolher o bem ou o mal”. Se isso fosse realmente o livre arbítrio, não poderíamos ser punidos por algo que fizéssemos de errado, pois temos a liberdade de escolher o erro, e se temos essa liberdade, por que seríamos punidos por o escolher? Pelo simples motivo de que a finalidade do livre arbítrio não é que possamos escolher entre o bem e o mal, mas para que possamos livremente escolher o bem. Para que possamos discernir o que é o erro e o que é a Verdade, e daí escolhamos a Verdade livremente. Portanto, aquele que escolhe o erro utilizando-se do livre arbítrio, faz mau uso deste. Por isso que as punições penais, tomando de volta esse exemplo, são justificáveis a princípio. Mas se “livre arbítrio” é tomado naquele sentido primeiro, no sentido errado, nada que se faça de mal pode ser censurado e nisso se inclui o nazismo!

Portanto, qual o erro do Monark? Ser liberal. Pois, por ser liberal, ele toma a liberdade fora de sua natural posição e coloca o livre arbítrio como sendo também a liberdade para o mal, ou seja, ele é apenas um liberal convicto e muito coerente com seus preceitos. Quando Monark diz algo como que o nazismo deve ser livre, ele apenas está sendo coerente com seu pensamento liberal.

O trecho específico da discussão entre a Tábata Amaral e o Monark é algo risível de se ver, pois são dois liberais, partindo dos mesmos pressupostos, mas só um deles foi coerente com o que pensa. Enquanto a deputada mascara seu liberalismo com autoenganos e com vãs ressalvas (e logo direi exatamente o porquê), Monark simplesmente manteve a coerência de seu pensamento e expressou suas ideias sem máscara alguma (talvez incentivado pela ebriez do álcool e da maconha).

Mas eu não poderia fechar este artigo, sem antes mostrar com exemplos claros aquilo que falei no início: como um conceito vago acaba sendo simplesmente um meio de conveniência daqueles que detêm a mídia. A deputada acha terrível o Monark dizer que defende a liberdade para o nazismo ─ regime infame, ao qual são atribuídas as mortes de mais de uma dezena de milhões de pessoas ─; no entanto, ela não se importa de ser filiada a um partido socialista, defensor de um regime que deixou o saldo de cerca de cem milhões de pessoas. O nazismo é terrível por ter causado a morte de uma certa quantidade de gente, mas o comunismo, que causou dez vezes mais, não é terrível? Vi pessoas alegando que essa equiparação não é possível, pois os comunistas ajudaram a derrubar o regime nazista. Mas ninguém lembra que os comunistas também o ajudaram a construir?

Ou se esqueceram do pacto Ribbentrop-Molotov? Falam da pretensa heroicidade dos comunistas em terem supostamente acabado com o terror dos campos de concentração. Mas será se essa gente se esqueceu dos gulags (campos de concentração do regime da URSS)? Esqueceram-se dos massacres da Revolução Russa? E do holodomor? E da invasão à Polônia? E dos estupros coletivos na invasão a Berlim? E das perseguições religiosas, dos atentados aos Direitos Humanos, às liberdades individuais, das perseguições, do assassinato de reputação, da máquina mortífera de ódio que o comunismo proporcionou em seus fatídicos regimes?

O nazismo constituiu um regime terrível, asqueroso, de uma brutalidade assombrosa, mas o comunismo conseguiu fazer ainda dez vezes pior. A Alemanha, sob o controle daquele louco desmiolado, chamado Hitler, lutou contra as duas maiores máquinas de propaganda da história: a União Soviética e os Estados Unidos. Eis o motivo de por que se odeia tanto o nazismo atualmente. Mas eu digo que odeio o nazismo exatamente pelos mesmos motivos que odeio o comunismo, porque ambos são maus pelas quase mesmíssimas razões. Por que o Monark sofreu o que sofreu por dizer que o nazismo deveria ser livre, mas ninguém percebe o quão absurdo é o comunismo ser? Ninguém mais percebeu a insanidade dessa situação?

A questão é que o comunismo soube criar uma máquina global de propaganda, ao ponto de se tornar algo tido como ‘cool’, descolado, rebelde. Mesmo sendo um regime violento, que sempre se impôs pela força e através de perseguições, continua sendo amplamente divulgado, com seus militantes, como sempre fizeram na história, pregando o ódio a seus opositores, pregando a discórdia, alimentando-se de histerias, as utilizando como combustível de suas ações. Prova disso ─ nem precisamos ir muito longe ─ foi naquele caso infame, em que militantes invadiram Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Curitiba, desfraldando a bandeira nojenta da foice e do martelo, desrespeitando o Templo Sagrado que, como toda Igreja, guarda o próprio Cristo Sacramentado, chamando humildes senhoras e senhores que lá estavam rezando, meditando a serenidade da Boa Nova, do Evangelho, de fascistas e de racistas. E há quem diga que não há mais ameaça comunista…

A liberdade, tomada em sentido tão vago e indefinido, é utilizada para condenar o nazismo como pensamento pernicioso. Mas ela também é utilizada para permitir o comunismo, mesmo por liberais econômicos opositores deste pensamento, sob o pretexto de: “embora seja pernicioso, pode”. A grande mídia, se aproveitando das conveniências para manter as narrativas, passa o tempo todo acusando a existência de um “nazi-fascismo” que está “crescendo sempre e tomando tudo”, “se arraigando nas mentes das massas”, como um inimigo invisível e irrefreável, mas isto nunca é provado. Se aparece alguém que defenda qualquer coisa que fuja do roteiro estipulado pelos detentores da comunicação, ele é imediatamente taxado como fascista, como um sujeito que quer cercear a liberdade. Agora, Monark é o boi de piranhas do liberalismo. Monark encarnou em si o liberalismo que come a si mesmo, que devora compulsivamente os seus. Perdeu tudo por ter sido coerente, por não ter seguido o roteiro da hipocrisia, do fingimento, do teatro que a mídia oferece. É o mártir de nobreza nenhuma; e essa é a morte mais triste que existe.

Basta que vejamos aqueles que tratam a liberdade como um deus. Dizem, com seus olhinhos brilhando, que a liberdade de expressão, por exemplo, deve ser ilimitada, mas claro que não defendem isso coerentemente. Pois se alguém lhes lembra que se a liberdade for ilimitada os seus opositores ideológicos, até mesmo os mais violentos e truculentos, também deverão ter acesso a ela, eles simplesmente ignoram, com algum comentário vago, como “tem que ser livre, mas tem que ter limite”. Qual o limite? Quais serão os critérios adotados para o definir? Os capitalistas donos da mídia já definiram uma tática peculiar: o limite da liberdade varia como a maré dos mares, mas não de acordo com o nível da água, mas de acordo com o nível do dinheiro em seus bolsos. Não confie em mim, leitor, peço apenas que busque por aqueles que financiam os movimentos libertinos que você mesmo entenderá a que me refiro e a gravidade do problema.

Neste momento, as seguintes palavras de Plínio Salgado são de uma enorme oportunidade:

“[Entre o comunismo e o nazismo], não vejo diferenças fundamentais entre as duas concepções filosóficas, estatais e jurídicas.

Pondo de lado o fascismo, algo eclético, conquanto influenciado pelo idealismo hegeliano e pelas fontes em se abebera o socialismo, para só considerar a forma mais completa desse tipo de Estado, que atingiu na Alemanha a sua plena maturidade, direi que outra coisa não encontro senão identidade política entre o Estado hitlerista e o Estado stalinista. Ambos confundem Estado e Nação, conforme o conceito de Blunthchili. Ambos consideram o Estado, não como um instrumento do Homem, porém como um instrumento de aproveitamento do Homem no interesse da raça (nazismo) ou da coletividade (comunismo). Ambos são socialistas revolucionários, um de caráter nacional (nacional-socialismo), outro de caráter universal (internacional-socialismo, ou revolução do proletariado). Ambos aceitam e adotam a teoria da violência de Sorel. Ambos invertem a hierarquia dos valores humanos, dando preeminência aos valores físicos e tolerando, apenas por motivos de tática política, a manifestação espiritual dos cidadãos, a qual, todavia, é de tal forma controlada ou coagida, que praticamente não têm exercício assegurado, como se viu no recente passado (Alemanha) e se vê no presente (Rússia [1] e países por ela ocupados ou tutelados). Ambos anulam a iniciativa particular. Ambos destroem os grupos naturais que são o anteparo do Homem na defesa das suas liberdades em face do Estado. Ambos exercem censura rigorosa na imprensa, no rádio, no teatro, na cátedra, visando o objetivo de subordinar toda a formação intelectual do povo aos caprichos de uma concepção.

Não vejo, do ponto de vista das liberdades e dos direitos humanos fundamentais, nenhuma diferença entre o nacional-socialismo alemão e o internacional-socialismo russo. E tanto essa diferença não existe que a invasão e divisão da Polônia foram executadas de comum acordo pelos dois Estados (o nazista e o soviético) participando tanto um como o outro na prática dos posteriormente chamados “crimes de guerra” durante a vigência do pacto germano-russo, do mesmo modo como o crime hoje definido com nome de genocídio, foi praticado tanto pelo nazismo antes e até o término da segunda grande guerra, como pelo comunismo soviético antes e durante a guerra, continuando a ser praticado pela Rússia nos países segregados do mundo ocidental, pela chamada “cortina de ferro”, nome bem expressivo que pela primeira vez foi usado por Churchill num memorável discurso no parlamento inglês.

(…) Tanto o ‘nacional-socialismo’ como o ‘internacional-socialismo’ embebem suas raízes nas doutrinas deterministas que caracterizam a concepção materialista da História. Se o nazismo, de certa forma, filia-se ao pensamento de Nietzsche, transferindo a ideia do Super-Homem para a ideia da Super-Raça, e criando mesmo uma mística onde se mescla um sonho heróico de cavalaria antiga com a delirante miragem de supremos resultados biotípicos produzidos pela experiência antinatural de um arbitrário selecionamento eugênico, também é certo que Nietzsche encontrou as fontes da sua inspiração no espetáculo da seleção das espécies segundo o evolucionismo, no qual o triunfo pertence aos fisicamente mais capazes, sem nenhuma consideração de ordem moral.

Todavia, o marxismo procede das mesmas origens filosóficas do nazismo. Ele realiza o conúbio da filosofia materialista (que é fonte do nazismo) com a filosofia idealista (também inspiradora do nazismo) e, enquanto desenvolve a sua crítica da História baseado nos dois termos, “economia” e “evolução”, prescreve os seus métodos revolucionários baseado no ritmo dialético dos movimentos sociais e objetiva atingir um tipo de sociedade onde o homem desaparece inteiramente na massa coletiva”[2].

Notas
[1] Texto escrito na época da URSS, ditadura russa comunista.

[2] SALGADO, Plínio. Direitos e deveres do homem, Livraria Clássica Brasileira, Rio de Janeiro, 1950, pp. 57-61.

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