Os Estados Unidos da América são o país mais controverso da História Moderna, representando o polo de poder do qual têm emanado os esforços do Ocidente desde a Primeira Guerra Mundial. Conversamos brevemente com o Sr. Joshua Noyer, Chairman do American Blackshirts Party, que se propõe a reedificar esta Nação sobre novas bases. Evidentemente não concordamos integralmente com o movimento do Sr. Noyer, mas neste reconhecemos um movimento sadiamente nacionalista e cristão.

FIB – Quais são os valores que o ABP representa?
ABP – Nosso lema é “Uma Nação, Uma Ideia”, que significa reconhecer as diferenças que caracterizam a população americana, sejam raciais, religiosas ou ocupacionais e trazê-las para os braços do Estado; onde os indivíduos como parte do Estado possam se tornar conscientes de que as diferenças que possuem são sobrepostas pela necessidade de trabalhar juntos por um futuro melhor, não apenas para si mesmos mas para as futuras gerações. É assim que nós interpretamos o fascismo do entreguerras e é isso que nós pretendemos trazer ao país. Uma ideia construída sob a noção de uma Nação e um Estado espirituais por natureza. A única ideia capaz de efetivamente combater o materialismo e a atomização da era moderna.

FIB – Como o ABP pretende erguer os EUA?
ABP – Nós vemos a reconstrução deste País como sendo um processo. Ao passo que nossas ideias vão ganhando aceitação na sociedade, nós começaremos a assumir o poder e influenciar as instituições, estrelando em nível local no governo da cidade e do condado, nas universidades e em outras áreas de influência. Onde quer que nós ganhemos acesso a posições de influência, as usaremos para implantar o corporativismo em pequena escala e trabalharemos para reconfigurar o governo em linhas fascistas. Quando formos populares o suficiente para ganhar o poder nacionalmente, muitas das nossas ideias já terão se tornado realidade em muito do país. A ponte para um fascismo nacional aplicado será uma ponte curta.

FIB – Os Estados Unidos da América, sua fundação e sua atuação são comumente associados ao liberalismo. Assim, qual deve ser a essência do verdadeiro nacionalismo? O que é a América?
ABP – Muitas pessoas estão sob a falsa assunção de que o nacionalismo é abraçar sem reservas o passado de sua nação. Nós rejeitamos essa concepção. Nações, como os indivíduos, são compostas de ambas positivas e negativas experiências históricas, a falha em diferenciar entre elas é uma reflexão de ignorância e cegueira intencional. Os Pais Fundadores da América eram produto do pensamento da era iluminista e isso refletiu em seus escritos e documentos históricos. A maioria dos outros movimentos nacionalistas tentarão encontrar vias ao redor disso mal-interpretando seus escritos, mas nós acreditamos que a única maneira de estabelecer uma fundação firme para o nacionalismo em nosso país é pelo diálogo honesto. Assim, nós expressamos nosso desacordo com muito do que os Fundadores produziram em termos de Constituição e nosso desejo de vê-lo substituído com um documento governante mais reflexivo da realidade contemporânea. Enquanto a América foi sempre caracterizada por famílias fortes e pela dedicação a um ideal religioso, a deificação da liberal-democracia e dos Pais Fundadores produziu um desastre político. Um desastre em que o Povo Americano, apesar disso, conseguiu permanecer forte até recentemente. No entanto, a recente deterioração da nossa estrutura econômica e social está diretamente relacionada aos problemas do nosso sistema político. A única maneira efetiva de endereçar este problema é por uma mudança sistemática; na área econômica através do Corporativismo e na área política por uma mudança filosófica e estrutural refletindo uma visão de soberania como inerente não aos indivíduos mas ao Estado. Nós sabemos que essas ideias podem ser percebidas como não-americanas por não constarem nos ideais Fundadores. No entanto, é exatamente por esse motivo que nos consideramos verdadeiros nacionalistas. O desejo de alguém sacrificar a si mesmo por uma ideia pelo bem do futuro de suas crianças e das crianças de outras pessoas é a definição do nacionalismo. Apoiar ideias ou crenças sobre algo porque Washington e Jefferson acreditavam nisso é a definição da idolatria.

FIB – Para o ABP, como deveria ser a geopolítica americana para o mundo, o Oriente Médio e a América Latina? E quanto à denominada Pax Americana?
ABP – Política externa é provavelmente o assunto mais difícil de se endereçar porque envolve um ambiente bem dinâmico onde os principais jogadores estão constantemente mudando e a política precisa se basear sobre o interesse nacional, que também pode mudar. No entanto, esse interesse nacional nós definimos de maneira diferente do que a maioria dos outros. Para nós, o interesse nacional é apoiar movimentos alinhados a nós filosoficamente. Nós temos um lema de que “uma ilha nacionalista em um mar de democracias não pode durar”. Isso seria refletido em nosso suporte de grupos como os Baathistas no Oriente Médio, com especial apoio ao governo de Bashar Al-Assad, bem como uma mudança de visão perante Vladimir Putin e a Rússia, que apesar de sua recente interferência na política americana, apresenta o maior potencial de se tornar um baluarte contra maiores avanços da democracia liberal. Essa mudança de objetivos da política externa também precisa reconsiderar a Pax Americana, que em primeiro lugar era provavelmente irrealista e a longo prazo levará a desagravos entre os Estados que sentem sua soberania sendo invadida. Uma ordem muito mais estável a longo prazo seria composta de blocos regionais de poder com um membro dominante policiando sua própria região e mantendo a ordem. A assunção por trás disso é que graças à afinidade geográfica haveria também uma afinidade ideológica. O mesmo se aplicaria à América Latina, embora ali devesse haver uma maior ênfase na cooperação estratégica com os Estados Unidos. Idealmente um ou mais poderes regionais da área simpáticos aos interesses americanos pudesse manter a ordem na região. Mas é preferível dada a história estadunidense na América Latina que nós mantenhamos as mãos fora dali o máximo possível.

FIB – Por fim, qual mensagem o ABP gostaria de enviar aos integralistas brasileiros?
ABP – Como um aficcionado por história, eu preciso te dizer o quão feliz estou por saber que o Integralismo continua forte no Brasil. Eu fiz algumas pesquisa sobre o partido original e eles eram realmente profetas à frente do seu tempo. Pode não parecer nas notícias, mas as ideias que vocês esposam no Brasil possuem significante apoio aqui nos Estados Unidos. O problema é que nós estamos presos em um sistema bipartidário que deixa as pessoas incapazes de ter a chance de votar por novas ideias e pessoas devido ao medo de ter um partido político que elas detestam no poder. Essa mentalidade de “menor dos dois males” é não apenas o que nós nos Estados Unidos precisamos superar, mas vocês também, e trabalharemos juntos para atingir este objetivo até o momento em que atingiremos o poder e criaremos um lugar melhor para viver com nossas famílias.

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