Casal Integralista - Acervo FGV

É fato que muitos jovens estão fartos de tristeza, exauridos e praticamente destruídos por dentro; de coração gelado e de ideias mortas, de corpo exausto e de espírito fraco. Estes jovens são facilmente tomados por seus impulsos, não conhecem o autocontrole nem sequer buscam estar rodeados de boas virtudes ou de gloriosas aspirações e, de tal forma, não conseguem conceber ou tomar a eternidade como parte de seus planos ou como preocupação principal.

Neste texto, tenho o intuito de mostrar como o Integralismo ajudaria esses jovens dentro de suas extensões. Quero deixar claro, logo de antemão, para que psicologistas estudantes ou profissionais não venham a este texto fazer protesto, que a solução integralista sobre qual discorrerei está muito além da psicologia ou sequer pretende tomar seu lugar no que diz respeito ao tratamento psicológico.

Esse desespero comum nos jovens vem de sua inconformidade com a própria realidade das coisas ou com a simples concepção de haver um futuro eterno após a morte. Tendo isso em vista, acabam degringo‐ lando para ideologias absurdas que buscam mudar a realidade e, isto, às vezes, junto ao uso de drogas. Mas ao contrário de melhorarem, encontram-se cada vez mais perdidos, piores e mais tristes. Vivem apenas para o prazer, pois pensam que a vaga satisfação    que ele os oferece é o suficiente para não atentarem ao vazio repulsivo de suas próprias vidas.

O Integralismo não é uma ideologia, pois não quer nem uma nova realidade nem um super  homem.

O Integralismo é uma doutrina feita por homens para homens; tendo o homem como base (e Deus como fim), e sendo este o que é, não o que querem que seja. É uma doutrina que busca, além de dirigir corretamente o homem dentro da política, também conscientizá-lo e auxiliá-lo na busca pela eternidade.

Eis a solução integralista para os jovens: a eternidade.

A eternidade é sempre jovem, é sempre nova e nunca se vence ou envelhece. Todo o resto está fadado a desaparecer, todo o resto será destruído, aniquilado ou morto, mas a eternidade permanecerá. A partir do momento em que alguém, ainda em sua mocidade, tomar consciência disso, nunca mais se deixará iludir por tredas confianças.

O problema de muitos adolescentes é que, quando tomados pelo desejo de se satisfazer, enxergam naquela sensação a sua vocação de vida, mas quando esta se acaba, a vida se lhe mostra terrível.

Qualquer um que estude a história, por exemplo, da filosofia, verá que ao longo dos séculos o debate filosófico foi se confundindo com modas e com momentos, ao ponto de haverem inúmeras versões de supostos filósofos sobre a realidade. Assim que surgia alguém dizendo ter uma solução para a realidade, este ajuntava-se com outros que o enxergava como um guru, o que fazia com que muitos, estando inseridos no mundo acadêmico, começassem a encher o mercado editorial de livros sobre aquele assunto e fazendo com que a nova filosofia tornasse-se moda.

Disto, ocorre que os autores que do guru discordavam, escreviam uma nova concepção da realidade, ao ponto em que eles mesmos se tornassem, através do mesmo processo anteriormente descrito, novos gurus.

Então a antiga e presunçosa solução da realidade caía em descrédito e novas concepções iam surgindo e depois caindo. A falha principal desses sistemas  era concentrar-se apenas no que é contingente e passageiro, o que, consequentemente, incidia sobre suas próprias filosofias.

A história está cheia de antigas e carcomidas filosofias. Se a realidade fosse tão flexível ao ponto de, num momento, uma teoria sê-la em toda a sua extensão e noutro momento simplesmente deixar de sê-la, esta seria inconcebível e todas as nossas atitudes seriam simplesmente inúteis; a vida não valeria a pena e só a morte seria a única saída desse desconforto.

E hoje não é diferente, muitos jovens estão aderindo a modas do momento e dizendo que qualquer um que se oponha às maiores absurdidades por eles defendidas é um retrógrado de pensamento velho.

Evidente que há uma concepção da realidade que a exprime como ela é, e muitas das vezes ela nos é irracional, embora continue sendo definitiva. Nenhum racionalista ideológico conseguirá jamais racionalizar as simples irracionalidades da vida. E todas as novas visões que surgirem dentro desse aspecto, de tentar racionalizar e decodificar cada extensão da realidade, não passarão de apenas vagas expressões que fazem um aparente sentido naquele momento, mas que tão logo estarão velhas.

O Integralismo aconra-se em valores eternos que nunca estão subordinados a momentos ou a modismos. As demais concepções oferecem aos jovens uma falsa e passageira satisfação, o que faz ou que eles cada vez mais busquem modificar a realidade de acordo com suas cabeças (o que inevitavelmente os conduziria à loucura), ou atirarem-se na busca de inúmeras e diferentes ideologias.

Qual o resultado inevitável de alguém que está sempre se frustrando em todos os seus entendimentos, senão a tristeza profunda? Cada vez mais jovens se agarram a lutas absolutamente infames e subversivas. As pautas que hoje predominam os círculos de conversas da mocidade são, quando políticas, de conteúdo estúpido, macabro e destrutivo, isto, em sua maioria.

Não quero, aqui, dizer que o Integralismo tomaria o lugar da religião no que diz respeito a direcionar alguém à consciência da eternidade e da Salvação. Que quero dizer é que o Integralismo é uma luta política que sabe que suas finalidades encontram-se permanentes e ecoando na eternidade. De que adiantaria lutar pelo bem do Brasil, se este não fosse composto de pessoas de alma eterna? Tudo já estaria fadado a morrer e qualquer luta por uma melhoria não seria mais do que esforços inúteis. Mas a partir do momento em que se sabe que, além de intelectual e econômico, o ser humano também é um ser espiritual e, portanto, de alma eterna, toda luta que anseie por uma melhora es‐ tará justificada e se demonstrará útil; pois os esforços nela empregados corroboram para o bem comum das pessoas e seus efeitos durarão para sempre.

Numa sociedade integralista, com todos conscientes de sua condição eterna, estaria disposta a tornar-se melhor, pois as pessoas estariam buscando por sua salvação – e o povo não faria como faz hoje, quando, tornando-se indivíduos, cada um preocupa-se apenas com suas satisfações individuais, mas estaria junto num único anseio, no empenho de uma luta que dignifique cada pessoa, desde as classes econômicas mais baixas às mais altas.

Enquanto um jovem estiver empenhado numa luta que não for fundamentada na eternidade, este será, em espírito, velho e morto, e nada que faça se justificará.

Mas a partir do momento que, em seu seio, a semente do Sigma estiver cravada e esta vir a criar raízes e depois frutificar, o homem, em espírito, estará sempre novo e vivo.

Que quero dizer é que, no âmbito político, só o Integralismo, sendo saudável e verdadeira concepção, pode dar aos jovens uma causa justa para se lutar.

Sendo um Integralista alguém consciente disso, ele não pode deixar os sentimentos e as sensações passageiras deste mundo fadado a morrer lhe tomar as rédeas e lhe dirigir os impulsos. Um integralista traz em seu coração a chama eterna, a disposição infinita, o anseio irrepreensível e o impulso plenamente justificado; aonde quer que vá, mesmo o local sendo inundado de gente morta, este terá em seu coração uma vida pulsante e, além de tudo, deverá deixar que isso se lhe transpareça e somente sua presença e seu jeito será o suficiente para afugentar os espíritos mesquinhos putrefatos – de casca ornada, mas de alma podre.

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