Muitos são aqueles que julgam que a Revolução Constitucionalista de 1932 foi um movimento que pretendeu separar a Província de São Paulo do restante do Brasil. Em verdade, porém, o magno Levante de 9 de Julho de 1932 foi, antes de tudo, um movimento cívico pela restauração do império da Lei e da Ordem e em defesa da unidade nacional brasileira. Aliás, jamais poderia ser separatista um movimento que teve como principal lema a divisa “Pro Brasilia fiant eximia” (“Pelo Brasil façam-se grandes coisas”), divisa esta que realça, a um só tempo, o caráter nacional da Revolução e o profundo e sincero sentimento de Brasilidade do Povo Paulista, que, não por acaso, buscou inspiração para sua luta nos feitos de seus antepassados, os bandeirantes, aos quais a nossa Terra de Santa Cruz deve a sua extensão continental.

O caráter patriótico e nacionalista e, como tal, antisseparatista do Movimento de 9 de Julho foi bem exposto pelo poeta, escritor e diplomata Ribeiro Couto, no ensaio “Espírito de São Paulo”, escrito naqueles conturbados idos de julho e publicado pelo poeta e editor Augusto Frederico Schmidt.

Como escreveu Ribeiro Couto no referido ensaio, foi São Paulo, “na crônica remota, como nos seus dias do Império e da República, uma afirmação”, sem medo e sem mácula, “de brasilidade inteligente, de vontade construtora, de amor à ordem e à cultura”. Segundo o poeta de “O jardim das confidências” e de “Um homem na multidão” e romancista de “Cabocla”, não foi tão somente no campo das realizações práticas que se revelou o acendrado patriotismo dos filhos de São Paulo, mas também no terreno da vida moral e da vida política nacional, havendo corrido a progressão de sua riqueza “paralela à progressão de sua educação cívica e dos seus ideais”.

Ainda segundo o contista de “Baianinha e outras mulheres” e de “Largo da Matriz” e ensaísta de “Sentimento lusitano” e de “Dois retratos de Manuel Bandeira”, “o espírito de São Paulo, atento a todas as manifestações da vida nacional, não o arrastará nunca ao isolamento, mas sempre a uma preocupação sempre maior do bem do Brasil”. A vitalidade característica da Terra Bandeirante, nas palavras do escritor santista, “esteve sempre, estará sempre a serviço do país”. Destarte, em seu entender, a acusação de separatismo, de “‘espírito separatista’” lançada contra São Paulo resulta, quando não de má-fé, de um completo desconhecimento das condições em que São Paulo se desenvolvia havia quatro séculos.

Tratando, ainda, da injusta acusação de separatismo dirigida contra São Paulo, assim fechou o exemplar diplomata e ilustre homem de Letras patrício o seu ensaio a respeito do “Espírito de São Paulo”:

“A essa injustiça São Paulo responde com o testemunho simples da realidade. Só não vê quem não quer. A História, aliás, não faltará com sua sentença no momento oportuno, no julgamento claro e definitivo das atitudes contemporâneas”.

Não apenas a grande Província Bandeirante, mas também o atual Mato Grosso do Sul, as tropas de Borges de Medeiros, nos pampas gaúchos, e muitos outros brasileiros, de Norte a Sul deste vasto Império, se levantaram, como um só Homem, em 1932, pela restauração da Lei e contra a ditadura demagógica que infelicitava a Nação. Esta amplitude nacional do Movimento se constitui em mais uma prova de que ele nada teve de separatista.

A despeito de todo o heroísmo daqueles que eram os verdadeiros legalistas, o Alçamento de 9 de Julho não conseguiu se sair vitorioso no campo de batalha, havendo, porém, triunfado moralmente. Cinco dias após o término da Revolução, mais precisamente a 7 de Outubro de 1932, foi oficialmente criada a Ação Integralista Brasileira (AIB), com a divulgação do chamado “Manifesto de Outubro”, de Plínio Salgado, cuja mensagem essencialmente cristã e brasileira, bem sintetizada na tríade “Deus, Pátria e Família”, rapidamente se espalhou por todo o País, atraindo centenas de milhares de brasileiros para as coortes do Sigma. Entre estes inúmeros patrícios, figuram os há pouco mencionados Ribeiro Couto e Augusto Frederico Schmidt, apoiadores do Movimento Legalista de 1932, e também milhares de jovens ex-combatentes do chamado Exército Constitucionalista recém-saídos das trincheiras, como Lafayette Rodrigues de Paula, autor da obra “São Paulo, um ano após a guerra – 1932-1933”, o então futuro teatrólogo e líder negro Abdias Nascimento, o pintor Antônio de Pádua Dutra – que, aliás, desenhou diversos cartazes, selos e cartões postais do Movimento de 9 de Julho e, com o irmão Archimedes, ilustrou a capa do “Manual de Campanha do Voluntário Constitucionalista” – e, é claro, os então futuros brilhantes juristas e professores de Direito José Loureiro Júnior, Alfredo Buzaid e Miguel Reale. Este último, aliás, dedicou seu primeiro livro, “O Estado Moderno”, publicado em 1934, a José Preisz e Nélio Baptista Guimarães, dois colegas seus da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e soldados voluntários das hostes constitucionalistas tombados nas trincheiras da Revolução Legalista, “sonhando”, nas palavras de Reale, “um Brasil maior”.

Do mesmo modo, o Tenente Severino Sombra, fundador e principal líder da Legião Cearense do Trabalho, que assumiu o comando dos partidários da Revolução de 9 de Julho em terras cearenses, pertenceu, por algum tempo, à Ação Integralista Brasileira, enquanto o ex-Presidente Arthur Bernardes, principal líder dos mineiros que apoiaram o Levante, foi um sincero admirador do Integralismo, embora jamais tenha vestido a camisa-verde. Quanto a Plínio Salgado, este não apoiou a Revolução Constitucionalista de 1932 por ocasião desta, sobretudo por saber que nela São Paulo acabaria lutando praticamente sozinho, não tendo, pois, reais chances de vencer as forças da ditadura, mas escreveu, em seu “Compêndio de Instrução Moral e Cívica”, que a aludida Revolução “exprimiu a consciência jurídica do Povo Brasileiro”, infenso, em todos os momentos da sua História, aos governos discricionários e às exorbitâncias do denominado Poder Executivo. Antes, nas páginas finais do romance “O cavaleiro de Itararé”, de 1933, o assinalado pensador e escritor patrício havia mostrado o contraste existente entre os elevados ideais cívicos que moveram o Povo de São Paulo no Movimento de 9 de Julho e os interesses espúrios e inconfessáveis de alguns dos líderes deste, que, no entanto, não tiram, em nosso sentir, a nobreza e a heroicidade do aludido Alçamento.

Lídima expressão do Espírito Bandeirante que posteriormente inspirou e ainda hoje inspira o Integralismo, foi o Levante de Julho de 1932 um Movimento em prol da Lei e da Ordem, podendo ter colocado como um de seus lemas a antiga e sempre nova divisa lusitana “Pola Ley e pola Grey”.

Por falar em lemas, um dos mais significativos lemas da Revolução de 1932 foi o “Non ducor, duco” (“Não sou conduzido, conduzo”), colocado pelo poeta Guilherme de Almeida no brasão da cidade de São Paulo, elaborado por ele e pelo pintor Wasth Rodrigues em 1917. Talvez por sugestão de Alceste de Ambris, líder sindical e jornalista italiano que viveu em São Paulo por longo período e que, de volta à Europa, apoiou Gabriele D’Annunzio em sua heroica aventura de Fiume, tornou-se a aludida divisa o mote dos legionários desta efêmera república, tendo sido o brasão destes igualmente inspirado no brasão da Capital Paulista.

Antes de dar por findo o presente artigo, faz-se mister assinalar que, em 1945, o grande escultor Galileo Emendabili pediu a um integralista, o ilustre poeta e jornalista Judas Isgorogota (pseudônimo de Agnelo Rodrigues de Mello), alagoano radicado em São Paulo, que escrevesse uns versos, destinados às portas do Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932. Seguem os belos versos de Isgorogota, que posteriormente inspiraram o seu poema “A última legenda”, incluído no livro “A árvore sempre verde”, de 1959:

“ENTRAI, LEVANDO ÀS MÃOS O CORAÇÃO EM JÚBILO./ VOSSA HUMILDE OFERENDA À ETERNIDADE BELA,/ SEJA EM LOUVOR DO HERÓI – O SÍMBOLO DE/ [UM POVO/ A QUEM A MORTE INSPIROU APENAS UM SORRISO”.

Encerramos estas singelas linhas prestando um singelo tributo ao espírito patriótico e sadia e construtivamente nacionalista que empolgou a Terra dos Bandeirantes e os jovens idealistas de toda a Nação Brasileira que, imbuídos do legítimo Espírito Bandeirante e de um inquebrantável senso de Brasilidade, lutaram, com armas ou não, em prol do império da Lei, sonhando um Brasil Maior e Melhor e escrevendo uma das mais belas páginas da Epopeia Bandeirante!

Por Cristo e pela Nação!
“Pro Brasilia fiant eximia”!

Victor Emanuel Vilela Barbuy,
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.
São Paulo, 9 de Julho de 2019-LXXXVI.

*Versão revista e ampliada de artigo publicado no portal da Frente Integralista Brasileira em 9 de Julho de 2016.

1 COMENTÁRIO

  1. Sou integralista e odeio a revolução constitucionalista, como já dizia Gustavo Barroso
    “Os insaciáveis judeus da Sinagoga Paulista contrariados momentaneamente em todas as suas pretensões pela revolução de 1930, aliaram-se a políticos despeitados e ambiciosos e envenenaram o povo paulista contra o governo central e o resto do Brasil, conduzindo-o à guerra civil de 1932. Fizeram crer à mocidade que o Sr. Getúlio Vargas era inimigo de São Paulo, aplicando o processo judaico a que alude Ford: “incitar o ódio contra as pessoas a quem se quer aniquilar”. Entretanto, nós integralistas, técnicos por dever de ofício, sabemos que os únicos inimigos de São Paulo são os judeus que o sugam, pronunciando frases amáveis e belas ou fazendo afirmações acacianas e ocas.”

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here