Gumercindo Rocha Dorea, dono das Edições GRD, aos 93 anos (foto Bruno Nogueirão/Estadão)

Guilherme Cabrera Infante, indagado pelo Jornal da Tarde (São Paulo, 18.7.96) do motivo porque afirma ter “a história morrido em Cuba”, respondeu ele ter Fidel Castro construído “uma história à sua medida” e que, por isto, “a história parou”.

É o que sentimos ao compulsar os livros “didáticos” de todos os níveis, ou as memórias que, repentinamente, começam a espoucar nas prateleiras das poucas livrarias existentes no Brasil.

A nossa História, após Getúlio Vargas e seu aborto político, o Estado Novo, por incrível que pareça, vem sendo ainda escrita sob a visão do ditador tupiniquim ou da ideologia marxista, que ostensivamente passou a dominar as cátedras universitárias e secundárias, com a conivência dos bem-pensantes, amedrontados de se definirem positivamente.

A História parou, no Brasil, pois, sendo ela escrita ou proclamada sob o prisma da falsidade ou do escamoteamento de provas documentais, deixa automaticamente de existir. No Brasil os livros “didáticos” constituem o mais lamentável ersatz da verdadeira História, produzidos como são, um após o outro, repetindo a mesma algaravia imposta aos jovens que, nos bancos escolares, deveriam receber as lições verdadeiras escritas pelos homens no seu dia-a-dia. As poucas exceções, como sempre, confirmam  a regra.

As indagações se impõem: que sabem os jovens de hoje sobre a democracia integralista? Que sabe a mocidade de nossas escolas sobre a integração racial que a doutrina pliniana concretizou, ou que os líderes negros Sebastião Alves e Abdias do Nascimento participaram ativamente da Ação Integralista Brasileira? Que sabem os moços, que proporcionam fortunas aos donos dos famigerados “cursinhos”, sobre a posição dos integralistas na II Grande Guerra de nosso século? Que informação têm os estudantes de nossos cursos de como a AIB arrecadava os fundos necessários à sua atuação em todo o Brasil, com os quais mantinha milhares de escolas e consultórios? Que ensinam os “professores”, ou “autores” de livros “didáticos”, sobre o exílio de Plínio Salgado, ou sobre a tentativa de derrubar a ditadura getulista no impulsivo ataque ao Palácio Guanabara, em maio de 1938, e que se constitui num momento heróico da verdadeira História do Brasil?

Lamentavelmente não são apenas “professores” que aceitam submeter sua inteligência à falsificação da História, escrevendo e conseguindo publicar a sua “história”, independente de documentos comprobatórios. Este mesmo procedimento vamos encontrar em memorialistas recém-editados, como Juracy Magalhães que, referindo-se superficialmente ao Integralismo, repete simploriamente o que se encontra em livros “didáticos” do 2º grau, ou o embaixador Pio Correia que, na sua miopia, viu apenas pessoas idosas e crianças no grande desfile da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, ou Jarbas Passarinho que, abdicando de sua inteligência, respeito ao próximo, sensibilidade – e até mesmo descendo a um nível de imprensa marrom -, forja um perfil de Plínio Salgado indigno de sua pena, ao mesmo tempo em que comprova, em página de exceção, a tortura a que foram submetidos os integralistas nas masmorras estadonovistas.

Razões de sobra, pois, não nos faltam em procurar reviver nas páginas de Jayme Ferreira da Silva: é a História sendo restaurada e abrindo as suas páginas àqueles que pretendam pesquisá-la com a honestidade devida e, consequentemente, posicionando-se nos tempos que estamos vivendo.

São Paulo, julho de 1996.

por Gumercindo Rocha Dorea – Editor, São Paulo (SP).

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Obs.: Este Artigo é a “orelha” da 2ª edição do Livro “A Verdade sobre o Integralismo”, de Jayme Ferreira da Silva.

Leitura disponível também no blog Integralismo e História

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