É a Terceira Humanidade que encerra o seu ciclo. Ela perdeu o centro ideal de movimentos; já não há uma gravitação social, mas rotações de indivíduos em torno de si mesmos, criando nos domínios econômicos os grandes trusts e monopólios, e criando nos domínios políticos os grandes núcleos oligárquicos, fundados no próprio espírito individualista do século passado. É a época dos sindicatos financeiros e dos partidos políticos; do jogo das bolsas e do sufrágio universal.

Que doloroso quadro o dessa triste Humanidade!

Tendo chegado aos extremos progressos materiais, as Nações debalde tentam pôr ordem nas relações mútuas e nas suas atividades internas. A liberdade tornou-se o monopólio dos egoístas, dos inescrupulosos, dos potentados. O comércio internacional, que foi uma das causas das desorganizações da estrutura econômica de cada povo, opera-se agora num sentido de individualismo ou “chauvinismo”, desequilibrando completamente a produção e o consumo universais. A “luta de classes”, consequência da ausência de harmonia das atividades produtoras e dos opressores princípios da chamada “liberdade contratual”, prossegue num ritmo de violência e de ódio, segundo as prescrições de Sorel, de acordo com a tese da evolução das Espécies e o jogo dialético das forças sociais. Proletarizam-se as classes médias, os pequenos burgueses e até os detentores de menores somas de capital, fenômeno esse subordinado á fatalidade do “struggle for life” darwiniano, transformado em dogma na ética de Marx.

O desespero entra por todos os lares. A miséria oprime os trabalhadores intelectuais e manuais. O jogo dos negócios desorganiza a economia pública e privada, abala todos os dias as pequenas fortunas, as modestas economias e atenta contra o princípio cristão da propriedade.

O dinheiro, elemento estático expressivo de limitadas quantidades de ouro, contrastando com a produção, cujo dinamismo se acelera na razão direta dos aperfeiçoamentos técnicos, torna-se o grande bolchevista, o anarquisador de todo o o ritmo do trabalho humano. A escravidão dos juros pesa sobre todos os esforços do labor honesto, oprime os orçamentos das Nações e solapa a economia privada.

Os povos estão sobrecarregados de impostos. Os governos se encontram em situação de insolvência. A angustia das massas populares deflagra-se em revoluções sem objetivo, em desorientadas insurreições e mazorcas arbitrárias. […] O estrondo das falências em massa; a ditadura imoral das bolsas; a tirania do câmbio; a agonia da produção, cujo aparelho circulatório se esclerosou, perdendo a elasticidade; a angústia dos governos insolváveis; o problema do desemprego e incapacidade de aquisição das massas consumidoras; a miséria que se multiplica – tudo isso está mostrando o panorama trágico de uma civilização que morre …”.

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SALGADO, Plínio. Uma Humanidade em Agonia. In: A QUARTA Humanidade. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1934. p. 60, 61, 62, 63.

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